Em um mundo cada vez mais globalizado, os mercados deixaram de ser nacionais e expandiram-se em mercados internacionais. Como consequência dessa globalização, podemos observar uma concorrência internacional crescente baseada principalmente em qualidade e preço. Nesse cenário, o Brasil surge como um mercado emergente promissor, principalmente quando trata-se do mercado de vinhos.

O vinho é uma bebida histórica que carrega uma forte simbologia e tradição e os consumidores brasileiros e os canais de venda o classificam como uma bebida cultural e que possui muito mais do que sabor, pois abrange toda a história vinculada a grandes acontecimentos e personalidades, tornando o vinho uma bebida única e cheia de significados.

Segundo um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro do Vinho em parceria com o Fondo Vitivinícola Mendonza que apresenta uma pesquisa principalmente sobre o perfil do mercado brasileiro, dos seus consumidores e canais de venda, o Brasil ao longo dos anos mostra um consumo crescente que resulta na popularização da bebida ao redor do país, não sendo consumido somente nas regiões mais frias.

Mercado de vinhos no Brasil – características

Embora o consumo pelos brasileiros tenha aumentado, os consumidores ainda têm baixo conhecimento sobre questões relacionadas às características dos vinhos, tais como produção, qualidade e conservação.

O consumo de vinhos ocorre durante a semana e aos finais de semana preferencialmente à noite, sendo bastante utilizado em reuniões e confraternizações de trabalho, amigos e família.

Vinho fino é o vinho produzido a partir de uvas da espécie Vitis Vinifera, conhecidas como uvas finas ou europeias, e possuem grãos menores e a casca mais grossa. (Ex: Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Malbec). Seu processo de elaboração é mais rigoroso, pois segue normas e padrões de qualidade. O vinho fino é visto como uma bebida cara, elitizada e que desperta o sentimento de ser alguém especial. Corresponde a 23,75% do total de consumo dos brasileiros.

Vinho de mesa é o vinho produzido a partir de uvas das espécies Vitis Bourquina, Vitis Labrusca e Vitis Rupestris, conhecidas como uvas de mesa ou americanas. Seu processo de elaboração admite outros produtos além de uvas. Possui conceitos associados a uma bebida popular, acessível. Sendo enfatizado mais o sabor agradável da bebida e os benefícios que ela traz à saúde. Corresponde a 48,33% do total de consumo dos brasileiros.

O Brasil é um dos países que permite a fabricação de vinho a partir de espécies de uvas americanas.

Já os espumantes são associados a conceitos de luxo, objeto raro, elitizado e voltado a ocasiões específicas (especiais) de consumo. Corresponde a 20,83% do consumo total dos brasileiros.

Também é notável uma preferência do público masculino por vinhos secos enquanto o público feminino tem preferência por vinhos suaves.

O que influencia o consumidor na hora da compra são as orientações recebidas por algum especialista presente nos canais de compra (quando há), a nacionalidade do produto e recomendações de amigos e familiares.

Por canais de compra, podemos dividi-los basicamente em 4 tipos:

i. Lojas especializadas;

ii. Atacados, distribuidoras e importadoras;

iii. Hotéis e restaurantes;

iv. varejo.

As lojas especializadas possuem um público mais exigente, com maior conhecimento sobre vinhos e poder aquisitivo, portanto contam com profissionais que fizeram algum curso de especialização em vinhos. São as mais capacitadas neste assunto. Seus principais produtos são vinhos finos, espumantes e vinhos de mesa.

Os atacados, distribuidoras e importadoras costumam vender em grandes quantidades sendo eles responsáveis por vendas para hotéis, restaurantes e varejo. Seus principais produtos são vinhos finos, espumantes e vinhos de mesa.

Os hotéis e restaurantes são caracterizados pelo consumo imediato da bebida, muito ligado ao entretenimento, o atendimento diferencial e a harmonia que o local reflete influenciam o consumidor. Seus principais produtos são vinhos finos e espumantes.

O varejo é o estabelecimento no qual o consumidor efetua a compra de forma individual, não contando com nenhum tipo de atendimento. Seus principais produtos são vinhos de mesa e espumantes.

Uma oportunidade de Investimento

Segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o Brasil importou 319,8 milhões de litros de vinho em 2012 e há uma expectativa de que no ano de 2019 esse número chegue a 400,1 milhões de litros importados.

Entretanto, o consumo per capita de vinho no Brasil é de apenas 2,1L, comparado com a Itália que consome 43,2L per capita. Esse baixo consumo mostra o quanto temos ainda para evoluir neste setor vinícola, por se tratar de um mercado que apresenta muitas oportunidades e potencial de crescimento.

A revista “Meininger’s Wine Business International”, revista internacional de comércio de vinho do mundo lida em mais de 40 países, com uma visão abrangente do setor de vinho ao mundo, em sua edição de agosto de 2009, prevê que o Brasil em alguns anos poderá ocupar a quinta posição mundial no ranking de consumo de vinhos.

Conforme a tabela de importação disponibilizada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC)3, em janeiro de 2017, o Brasil importou U$23.519.706,00 em vinhos. Nos últimos 3 anos, o Brasil aumentou o consumo de vinhos em 15,85%.

Por: Giulianna Bazzetti de Sá e Fabio Luiz Lee.

Original em Guarnera Advogados (http://guarnera.com.br/pt/)

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