Dia 23 de abril, como parte das comemorações do aniversário de Cuiabá, fora realizada a 31ª Corrida Bom Jesus de Cuiabá, com trajeto se iniciando no Parque das Águas, região do Centro Político Administrativo de Mato Grosso, e terminando na Orla do Rio Cuiabá, no tradicionalíssimo bairro do Porto, onde tenho cravadas minhas origens.

Percurso previsto de 10 quilômetros, mas que ao final muitos tiveram que continuar correndo pelo menos mais 300 metros após a linha de chegada para completar a distância proposta. Isso para um corredor de rua é inadmissível, mas apenas um detalhe em meio a uma coleção de equívocos e comprovado amadorismo da organização.

…corredor é caso de estudo científico, pois mesmo com tanta adversidade, chega feliz e escancara um sorriso quando vê uma câmera apontada pra ele…

Corri conforme havia programado, atingi a meta esperada dentro das minhas marcações aliadas ao percurso oferecido pela Prefeitura. Fiquei feliz demais, mas era apenas o calor da “selfie”, pois quando saímos de nosso mundo paralelo de concentração dentro do objetivo perseguido, conseguimos enxergar a dura realidade de uma administração pública que joga pra torcida, beira o amadorismo completo e irrestrito no trato dos anseios da população.

Foram oferecidos antes cinco postos de hidratação, um antes, três durante a prova e outro no final. Sinceramente, tomei água gelada o tempo todo e não teria o que reclamar se meus olhos estiverem voltados apenas para o meu lindo umbigo.

A minha esposa não teve a mesma sorte, passou sede durante e depois da prova, não encontrou água nos postos de hidratação no percurso nem na chegada. Tivemos de recorrer à equipe Resenha Running para hidratá-la na tenda deles.

Como já disse em outras oportunidades, corredor é caso de estudo científico, pois mesmo com tanta adversidade, chega feliz e escancara um sorriso quando vê uma câmera apontada pra ele, está no calor da “selfie”.

Aquilo poderia ser algo positivo nesta administração municipal, chancela apenas o temor pelo futuro, a lógica diz que a perfeição acontece com a repetição de ações. Não estou falando da 1ª Corrida Bom Jesus de Cuiabá, mas sim da 31ª, antes dela aconteceram 30, ou seja, são 30 anos fazendo isso.

Alguns utilizam a máxima de que corrida de graça é assim mesmo… Alô cara pálida, acorda pra vida, que tal a prefeitura apresentar para a população os custos das medalhas, das camisetas, da pífia cronometragem, dos 500 metros de gradil de proteção (500 metros????) e certamente da água que foi comprada mas pouca gente viu.

O prefeito pode apresentar isso como forma de boa fé e lisura na sua administração, mas uma coisa é certa, de graça não foi e não vai me surpreender descobrir que ficou mais cara que as corridas particulares.

No entanto, mesmo com esses problemas, o reconhecimento devido é necessário, para que seja feita justiça. A equipe designada para distribuição dos kits e arrecadação dos alimentos não perecíveis foi extraordinária. Pessoas despidas de qualquer ideologia político/partidária, revestidas pela simpatia e compromisso com os clientes (corredores), apoiadas pelo Exército ao qual estendo meus sinceros elogios. Eles nos criaram uma imensa expectativa positiva acerca do evento, na envergadura que nossa cidade merece, porém, isoladamente essa “parte” do evento não foi suficiente para encobrir o amadorismo tão explícito como um todo.

Muito além do que medalhas, camisetas, frutas, estruturas físicas e “espetaculosas”, é preciso que a Prefeitura de Cuiabá entenda de uma vez por todas que corrida de rua não é palanque e corredor não é boi de manobra. Façam com qualidade, pois quem paga as contas somos nós, ou não façam. Exigimos respeito no trato do erário público, e principalmente com os corredores de rua. Nosso compromisso com o esporte e com a atividade física como fonte de saúde, não possui cor nem ideologia política, mas é carregada de paixão e solidariedade. Nossa missão vai além do calor da selfie.

Feris Abdalla Zarour é corredor e administrador

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