Não é o tênis. Tampouco o GPS. A hidratação é importante e vai estar lá, mas ainda não é o item indispensável, na minha opinião. A roupa, bem, pode ser até que você nem consiga ver o que está vestindo, isso porque boa parte da corrida vai ser no escuro. Para correr a Toroari vai precisar de duas coisas: seus ouvidos.

A Toroari, prova que leva a marca Ultramacho, será uma corrida de trilha a noite. Isso mesmo senhoras e senhores, no mato e durante à noite. Antes de começar a ficar assustado saiba que a segurança é o ponto forte da organização. Serão dois percursos e quatro tipos de prova. Para a turma da bike haverá desafio de 5 horas. Para o pessoal da corrida, percursos de 12 e 21k (solo e em dupla).

No último fim de semana, vivemos parte da experiência. Fomos conhecer o percurso dessa corrida a convite dos organizadores. Junto com outros convidados, os Corredores Sem Nome colocaram o pé na terra e seguiram por trilhas e estradas próximas ao morro de Santo Antônio. Sério, o negócio é tão perto do morro que a gente se sente dentro.

Entre os itens obrigatórios está a lanterna de cabeça (ou mão). Acredite, esse investimento vai valer a pena. Vai te ajudar a correr. Entretanto, a verdadeira experiência está no ouvir. A trilha tem um som diferente à noite. São animais, insetos, o vento, as árvores, seus pés batendo no chão, ou seja, toda a vida que está à sua volta, em movimento, interagindo no mesmo espaço, vivendo o mesmo tempo.

O desafio físico da prova e a experiência da trilha à noite é algo verdadeiramente indescritível. Não vejo a hora de ouvir de novo aquele som, de correr novamente naquele lugar. De sentir-me parte daquilo que antes temia, mas agora percebo que essa natureza era a parte que faltava de mim.

André Luiz Barriento é jornalista, assessor de comunicação e blogueiro no canal @corredoressemnome no Youtube e Facebook.

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