Sempre me perguntam se vale a pena tanto sacrifício e dedicação aos treinos intervalados, fartlek ou aos dolorosos longões. Percebo ainda que essa pergunta frequentemente vem acompanhada de um olhar crítico e desconfiado, pois o meu biotipo, mesmo sendo parecido com o de boa parte dos corredores, é bem diferente dos corredores de elite.

Em uma quarta-feira, estava olhando o calendário de corridas para me inscrever em alguma. Eu só queria participar, afinal eu apenas tinha começado a correr há menos de um mês. Navegando pela internet, deparei-me com um vídeo no Youtube, postado pelo, hoje colega, Júnior de Assis. O vídeo mostrava o Desafio Senta a Púa edição de 2014.

Eu achei aquilo sensacional, pois sempre gostei de aventuras. Mostrei ao meu amigo Paulo Mendonça, que me contou outras histórias sobre essa corrida. No mesmo momento me inscrevi para fazer 12 quilômetros. Loucura, pois estava com quase 102 kg e faltava pouco mais de um mês para a prova.

Comecei a me preparar. Fazia três treinos por semana com meu amigo Paulo. Rapidamente perdi 5 quilos e alcancei a melhor forma física em anos. Meu espírito estava pronto para o desafio.

No dia 22 de outubro de 2016 arrastei minha esposa Mara e meu amigo André, então iniciando nas corridas, para Chapada dos Guimarães. Consegui ainda assistir a palestra com o “rei da montanha” José Virginio de Morais (chegar no local da palestra é um assunto a parte, história boa para outro artigo…).

No dia seguinte, domingo, às 5 horas, estava todo equipado, mais parecia o Robocop ou um Power Ranger morfado. Estava pronto para correr. Embarcamos para a prova e para um novo caminho, percurso este que não paramos mais. Estava lá comigo minha esposa querida e meu fiel escudeiro, André. Este me olhava e no fundo dizia “cadê o churrasco e as cervejas?”, mas foi nessa época que sentiu o clima da prova e entrou de vez nesse mundo.

Vou confessar, foram doze quilômetros bem brutos! Mesmo com um tênis que não era adequado para lama, completei a prova com 1 hora e 33 minutos. Minhas pernas estavam tremendo de tanto esforço. Eu sinceramente não esperava menos, pois sou viciado em endorfina. Foi tudo perfeito, a medalha é meu orgulho, e a experiência única.

Neste domingo, dia 12 de março, vou para os meus primeiros 21 quilômetros, minha primeira meia maratona Trail Run. O Circuito Poúro Águas Quentes – Ultramacho, em Santo Antônio do Leverger, terá o desafio do tamanho do meu desejo de superação, afinal nunca escolhi nada fácil na vida.

Agora, respondendo àquela fatídica e recorrente pergunta, se vale a pena tanto sacrifício e dedicação aos treinos e corridas, a resposta é simples como o fogo. Como a cor da chama e a intensidade podem variar, somos moldados de acordo com a intensidade e dedicação em nossos treinos. Eles são essenciais em nossas vidas, nos permitem extrair a energia dos materiais e usá-las em nosso beneficio. Na corrida podemos inflamar nossa vontade para sempre nos superarmos. Abraços do TX.

Carlos Teixeira de Camargo, o Carlos TX, é Administrador, Contador e blogueiro no canal @corredoressemnome

Anúncios