Há quatro meses, comecei a praticar corrida de rua. Sim, eu sei é estranho isso. Um sedentário assumido como eu, jornalista que sempre admirou a boemia (embora estivesse um tempo afastado dela), agora veste fitness. Sempre dizia que o ‘diabo veste fitness’, parafraseando o nome do filme. Agora, vivo em volta de treinamentos, provas, medalhas e tênis.

Quando eu era adolescente, imaginava os 35 anos de idade como algo bem distante. Tão longe de mim que acreditava que, viver esse tempo já seria o suficiente, tava bom. Por isso, achava que não iria ficar velho, morreria aos 35 anos. Eu estava certo.

No fim do ano passado, um amigo me chamou pra correr. No meio das gargalhadas percebi que só eu estava rindo. “Sério isso?”, perguntei. Depois de ele desmontar todas as minhas desculpas, inclusive me emprestando um par de tênis (sim, tive o ‘azar’ de o Carlos TX calçar o mesmo número), tive de aceitar o convite pra ir ao treino na terça a noite.

Já praticava karatê, mas meu porte físico mostrava que ainda tinha lenha pra queimar. Lenha, leia-se gordura mesmo. No auge dos 97 quilos comecei a treinar por causa da amizade, achava chato correr (mesmo sem ter tentado). Já no primeiro treino algo em mim mudou. Com as semanas, fui morrendo e outra pessoa foi surgindo.

Para quem não corria 500 metros, completar 16 quilômetros era algo impossível. Mais do que perder 12 quilos e metade do guarda-roupa, ganhei um senso de “posso, consigo” até então novo pra mim. Hoje, quando lembro do adolescente com bronquite, sem fôlego e inseguro do passado percebo que aquele André se foi. Realmente, morreu aos 35 anos, quando colocou um tênis emprestado e deu os primeiros passos. Começou outra vida e espero que ela continue por mais 35, se eu puder. Ou como o sr. Cedil, de 90 anos, corredor assíduo que espera treinar até os 115 anos, pra depois decidir se continua correndo.

Já se foram 400 quilômetros, seis corridas e um canal de vídeos com 2 mil seguidores na fanpage. Hábitos saudáveis começam a chegar sem sofrimento. Comer, beber e se divertir não é mais sinônimo de abuso, ressaca e destruição da saúde. Conheci um monte de gente legal, com histórias incríveis e amigos que vão me acompanhar para a vida, essa nova vida.

Obrigado Carlos TX, Paulo Mendonça, Carlos Dias. Obrigado família, corredores e corredoras. Vocês que nos incentivam a continuar e mostram que essa atividade física pode mudar nosso olhar sobre o mundo, pode ajudar a nascer outra pessoa dentro de nós, alguém difícil de descrever, que chamamos simplesmente de corredor.

André Barriento – Jornalista, assessor de comunicação e blogueiro no canal @CorredoresSemNome

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