Vejam que grande exemplo, prova de que somos sim capazes. Basta foco e disciplina.

Fazer uma maratona sub 3h exige dedicação, alimentação, anos de treinos e uma preparação bem feita, além do clima favorável no dia. Um resultado que muitos não conseguem mesmo com essa união de característicos. Sabemos também que, fisiologicamente, a cada década de vida, há uma perda de massa magra, da constituição física no geral. O envelhecimento é uma certeza para todos. Por isso mesmo que índices de qualificação e recordes vão ficando mais altos com o passar dos anos. Nenhuma novidade até aí.

Agora, e quando você junta esses fatores e consegue o sub 3h aos 65 anos e ainda na Maratona de Foz do Iguaçu, considerada uma das mais difíceis do Brasil? Pois bem, esse foi o resultado do corredor Victor Queranza, de Mococa, no interior de São Paulo. Ele fez 2:57:46 em setembro passado. Isso mesmo, não há erro de digitação!

Os dados estatísticos atestam que o resultado de Queranza foi mesmo excepcional. Em Foz do Iguaçu, além dele, apenas outros 35 corredores foram sub 3h no masculino (incluindo a elite) e quatro das mulheres do total de 556 concluintes, ou seja, 7,20%. Usando como exemplo a classificação de 2015 do Ranking Brasileiro de Maratonistas, publicado anualmente pela revista Contra-Relógio na edição de janeiro, com base nos resultados em provas oficiais de 42 km realizadas no país, o primeiro colocado foi o excepcional Gabriel Garcia, com 3:10:18 obtido em Porto Alegre (plana e propícia para bons resultados), com Jorge Emídio de Oliveira na segunda posição (3:21:13 no Rio de Janeiro) e Francisco Rosendo Sobrinho (3:26:48 em Foz do Iguaçu).

“…gostar muito de correr, sempre se dedicar e nunca baixar a cabeça nas dificuldades, sempre seguindo em frente.”

Se a análise for feita com base no ranking da Association of Road Racing Statistician (ARRS), que pode ser conferida no site http://www.arrs.net, Queranza seria o 20º homem mais rápido na maratona na faixa dos 65-69 anos (alguns corredores na relação têm mais de um resultado e, claro, apesar de oficial, essa classificação não é 100% exata, mas uma boa fonte de comparação). O líder desse ranking é Derek Turnbull, da Nova Zelância, que fez 2:41:52 em 12 de abril de 1992, aos 65 anos e 129 dias, em Londres. A lenda Ed Whitlock, do Canadá, que bateu inúmeros recordes mundiais acima de 60 anos, tem 2:51:02 na mesma faixa etária de Queranza, obtido em 14 de novembro de 1999, quando estava com 68 anos e 253 dias http://www.arrs.net/Veterans/VR6_Mara.htm).

Para citar alguns outros feitos do corredor brasileiro, em 2013, quando estava na categoria dos 60 aos 64 anos, no 12º Troféu Brasil Master, na pista do Conjunto Esportivo Constâncio Vaz Guimarães, em São Paulo, Queranza venceu tanto os 5.000 m quanto os 10.000 m (esta com o recorde da competição). Venceu com 17:51:69 e 38:30:30, respectivamente.

Em Foz do Iguaçu ele disputou a oitava maratona da vida. O melhor resultado foi obtido na Maratona de São Paulo de 2002 (vencida por Vanderlei Cordeiro de Lima), quando terminou na 33ª colocação com 2:35:11, aos 51 anos. O resultado no Paraná mereceu outra comemoração. “Em Foz do Iguaçu, consegui a classificação para a Maratona de Boston de 2018”, reforça o líder do ranking brasileiro nos 42 km na faixa dos 65 aos 69 anos. Nesse caso, Queranza foi bastante modesto, pois o índice para a prova norte-americana é de 4:10:00. Lembrando ainda que, em Foz, o segundo colocado na categoria foi Afonso da Silva Ferreira, com 3:55:29. No Brasil, em 2016, a segunda posição no ranking é de João Ferreira de Freitas Filho, de Curitiba, que marcou 3:11:15 na Maratona de Porto Alegre, em junho de 2016.

Qual o segredo dessa longevidade? Queranza explica com uma simplicidade peculiar. “Primeiramente, gostar muito de correr, sempre se dedicar e nunca baixar a cabeça nas dificuldades, sempre seguindo em frente. Além de cuidar muito bem da saúde e sempre fazer uma avaliação médica.”

original em: http://revistacontrarelogio.com.br/materia/2h57-na-maratona-de-foz-do-iguacu-aos-65-anos/

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